quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Entre a vertigem e o delírio

"Oxidado entre azulado, tal como visto no espelho de Alice"

Consegue-se vislumbrar a negação colorida da realidade fotografia nas pequenas farripas de falso reflexo da realidade alternativa de um imaginário qualquer.

Quente, frio. Molhado, seco. Campolide no Tejo, fazendo-me pensar num Tejo capaz de inundar Campolide, num ciclo contínuo de águas-livres enclausurando um cacilheiro num percurso sem saída.

O labirinto perfeito, de um só corredor circular.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

novo ponto de fuga

Não consegui uma imagem nítida do mágico que, numa inocente caixa de papelão, guardava um buraco negro em que o horizonte e as carruagens se deixavam cair numa harmonia vertiginosa.

Captado um instante, os demais foram vividos sem memórias para o futuro. Como entrei nesta composição, ainda me pergunto se, porventura, não terei continuado a minha vida dentro daquela caixa de papelão. Se assim for, é curioso como tudo parece ser, ainda e apenas, a vida de todos os dias.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

há que nascer com o sol



Há que tentar nascer todos os dias com o sol.

Nem todos os dias são dourados, mas não deixam de ser valiosos, e não apenas por causa da luz, da cor, do tom, da paisagem diáfana.

Há sempre alguém que pode encontrar em nós um sol que os ilumine, e tranforme a névoa que impede ver ao longe, na própria coisa que precisamos para também brilhar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

esmeralda

queria ter uma caverna esmeralda, onde acolher os amigos que procurassem refúgio do calor dos dias. com sofás de musgo e orvalho, a natureza sussurrando com silêncios de água e brisa.

um espaço pequeno, pois a verdadeira amizade é rara...

[que diferença dos conhecidos, dos que estiveram muito tempo por perto mas nunca ultrapassaram uma distância maior: a do coração.]

terça-feira, 5 de maio de 2009

muros

Há quem passe uma vida inteira construindo uma janela que lhe permita ver o mundo que se esconde para lá do parede que aprisiona os sentidos e a mente e a liberdade.
Então, o que pensar de quem, tendo concluído a janela, descobre apenas que, para lá do muro que sempre o aprisionou, existe apenas outro muro?

terça-feira, 28 de abril de 2009

ponto de fuga

Olhei para o céu à velocidade da luz. Pedi a Van Gogh para passar os seus pincéis sobre os meus olhos. Vi céu, vi sol, vi nuvens, vi cores. O centro é o centro é o centro. O Todo converge para onde me centro. No centro. Do centro. Ao centro.

Tudo é fuga, excepto a meta do olhar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

muitas espécies de luz

Odeio a perfeição. Principalmente por não existir.

O que é uma razão irrazoável.

Para quem precise de razões para existir, encontrar a perfeição deve ser o momento mais cruel da sua existência.

Gosto de imagens mais imperfeitas que a imperfeição perceptível na sua representação cuidada.

Gosto de gente imperfeita, porque são os únicos que podem ter alguma esperança em crescer.

Gosto da luz na cara dos jovens, destacando-se do negro que os rodeia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Gulbenkian pela manhan


Deparei-me com este senhor, artista de rua, que após me encantar com o seu discurso, terminou com um notável "dó-mi-sol", provável assinatura musical do seu trabalho.








As maravilhas continuaram, nem sempre com tons de verde e terra...

Houve um vislumbre de paredes de vidro viradas para espelho de água rodeado de vida e de verde.
Fica a imagem, o sonho...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Metamorfoses de nevoeiro

O que começa por ser uma foto de final de tarde imersa numa ameaça de chuva, com a proximidade fria da pedra destacada pelo afastamento até à exclamação do farol sobre a paisagem, a meio caminho entre um território de fantasmas de marinheiros esquecidos e um espaço iluminado e desvanecido de sublimes graças dignas de fadas e elfos...

...redunda num pequeno poema nebuloso, de luz e cor indefinidas, refugiando-se num desfoque impossível aos olhos.
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